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25 de jul. de 2013

Hanako-San, a menina do banheiro


Hanako-san é uma menina fantasma (adolescente, em algumas versões) que assombra os banheiros das escolas japonesas. Os japoneses a chamam de “Toire no Hanako-san”, que, literalmente, significa “Hanako do banheiro”.


Ela tem cabelo negro e liso, usa uniforme vermelho e seu olhar, segundo contam, é capaz de fazer sangrar até os mais valentes.


Ela habita o terceiro cubículo dos banheiros do terceiro piso; em outras versões da lenda, o quarto cubículo; já que, no Japão, o 4 é considerado um número maldito, por sua semelhança fonética com a palavra “shi” (morte). Seu espírito geralmente está nos banheiros femininos, mas não são poucos os casos de meninos que foram encontrados apavorados, dizendo ter visto a menina em meio ao mau cheiro, umidade e a penumbra, já que ela prefere os banheiros descuidados e pouco iluminados. Os professores se aproveitam do medo que as crianças possuem de Hanako-san, e recomendam aos alunos que mantenham os banheiros limpos.




O risco de encontrar-se com Hanako-san é maior quando se está sozinho, então, nem pense em abrir a terceira ou quarta porta, porque ali morrerá ou encontrará o olhar que rondará seus pesadelos pelo resto de sua vida, pois a entidade fica enfurecida quando alguém invade sua privacidade.

Por outro lado, contam que, se não abrir a porta três ou quatro, mas sente uma presença no banheiro, muito provavelmente se trate de Hanako-san. Existem algumas formas de averiguar: provocando-a, incitando-a a se manifestar, para isso, pode bater na porta três vezes, chama-la pelo nome ou fazer a pergunta-chave: “Hanako, está aí?”. Não é certo que vá lhe responder, mas se o fizer, a maioria das versões contam que ouvirá uma voz baixa e rouca dizendo “Sim, estou aqui.” Uma vez que saiba que a entidade está ali, terá que ter coragem para abrir a porta, uma vez que, estará ainda mais irritada do que nos casos em que abrem sua porta sem ter lhe chamado. Entretanto, se você tem um trabalho escolar em que tenha tirado nota máxima, pode ficar tranquilo, pois se diz que Hanako-san se acalma e desaparece quando vê que você é um bom estudante.

Mas, qual seria a origem de Hanako-san, e desde quando se começou a falar sobre ela?
A verdade é que essa menina fantasma está na boca dos japoneses desde a década de 80, quando emergiu como lenda da cultura popular urbana. Contudo, há quem diga que já nos anos 50 se falava de Hanako-san, ainda que bem menos.
Quanto à sua origem, são contadas as seguintes versões:

- Durante a Segunda Guerra Mundial, Hanako-san estava brincando escondida, quando ela e os demais alunos foram surpreendidos por um alarme de bombardeio. Ela se escondeu no banheiro e ali morreu, quando as bombas inimigas a transformaram em pedaços.


- O pai de Hanako-san era um sujeito abusivo, violento, pervertido e louco, que, certo dia, perseguiu a menina enfurecido, afogando-a em uma privada do banheiro.




- Hanako-san morreu em um acidente. Algumas versões (em Fukushima) dizem que ela caiu da janela da biblioteca da escola; outras, mais coerentes, dizem que caiu da janela do banheiro.


- Parecida com a do pai, uma versão conta que a mãe de Hanako tinha problemas mentais e estava perdendo progressivamente a razão, até que um dia, quis matar a própria filha, tendo executado o ato em um banheiro em que a menina estava escondida.




- A mais sinistra das versões, conta que a escola (provavelmente um internato) de Hanako era uma área arborizada e a menina havia saído para um passeio entre as árvores. De repente, ela sente uma presença e percebe um homem com um machado na mão, olhando para ela de forma perversa. Hanako se assustou e correu de volta para a escola, que parecia estar vazia, escondendo-se em um salão, abaixada. Escutando os passos ameaçadores do homem e já com muito medo, ela correu para o banheiro, trancando-se no quarto cubículo. Porém, o homem escutou o ruído da porta e foi até onde ela se escondia, ao chegar, disse em voz alta “Hanako-san asobimashou!” (Vamos brincar, Hanako!) e então, começou a fingir que a procurava, até que chegou em seu cubículo, destroçou a porta e despedaçou Hanako com o machado.


- Por último, alguns creem que Hanako se suicidou no banheiro, coisa que é bem coerente, visto que o Japão possui um dos maiores índices de suicídios, incluindo casos de adolescentes e crianças, os quais, algumas vezes se matam pela pressão social em torno da obtenção de boas notas, tais como as que fazem com que Hanako desapareça. Será coincidência?




Fatos sobre Hanako-san:


- Hanako-san é um dos personagens principais do mangá "Hanako-san and the Teller of Alegory"



Tá vendo a menina de saia vermelha? É ela.
- Hanako-san inspirou dois filmes: Hanako (1995) e Shinsei toire no Hanako-san (1998).


Shinsei toire no Hanako-san, 1998


Hanako, 1995
Ela inspirou a animação Toilet no Hanako-San (1996)


- Inspirou o desenho animado "Here comes Hanako" que foi ao ar de agosto de 1994 a dezembro de 1995.


Inspirou o game "Scary School Rumors: Hanako-san has come!"


- No Episódio 10 do anime "Kimi to Boku", Chizuru Tachibana se veste como Hanako-san para a Casa Assombrada de sua turma no festival da escola.

- No episódio 2 do anime "Da Capo II", Hanako-san é mencionada como um espírito que assombra banheiros femininos.

- Faz aparições no anime "Gakkou no Kowai", mais precisamente no ep. 01 - O Espírito do mal, ep. 02 - Papel vermelho ou papel azul e ep. 13 - A maldição do retrato.

24 de jul. de 2013

A Babá e o Palhaço

Susy chegou na casa onde seria babá de uma criança de 5 e outra de 3 anos.Depois que os pais das crianças lhe deram as informações e recomendações eles saíram para jantar.

Susy ficou na sala olhando televisão pois as crianças já estavam dormindo.De repente ela ouviu um grito de uma das crianças e saiu correndo, subiu os degraus e entrou no quarto.


" O que aconteceu "- Perguntou Susy

" Eu não gosto de palhaços " Responde uma das crianças apontando para um boneco .

Agora Susy também esta assustada.Ela olha para um palhaço do tamanho de uma pessoa real no canto do quarto. Ela se pergunta porque os pais deixam um boneco tão feio e assustador no quarto das crianças.Enfim,ela canta uma música para as crianças, elas dormem e ela desce para a sala.


Um tempo depois ela escuta um barulho e novamente os gritos das crianças.Ela sobe rápido os degraus e entra no quarto


" O palhaço estourou um balão para nos assustar " - Fala uma menina

Susy olha para o chão e vê um balão estourado no chão.Ela sente uma pontada na barriga e fala que vai chamar os pais das garotas para voltarem para casa.

Ela desce as escadas e tenta ligar para os pais.A linha está muda. Ela usa seu celular e a mãe atende


" Senhora, eu estou ligando porque as crianças estão com muito medo.Eu poderia tirar aquele boneco de palhaço do quarto ? "


" Como assim ? Não temos nenhum boneco de palhaço "


Só então Susy percebe que não está mais ouvindo as meninas.Ela corre desesperada para ver se as meninas estão bem.A única coisa que a mãe da crianças escuta é um grito desesperado.


Quando pai e mãe chegam em casa, eles só encontram suas filhas e a babá mortas.Todas tinha os rostos pintados de palhaços e balões de hélio amarrados no braço.


23 de jul. de 2013

O Sacrifício

-Por que você está fazendo isso? O que eu lhe fiz?
Dizia ele acorrentado a uma maca cercado de aparelhos esquisitos e de utilidade duvidosa.
-Bem na verdade você foi escolhido, um jovem inteligente, bonito, de muito amigos, a pessoa perfeita para a ocasião.
Cantava o algoz, vestido ao que parecia serem trajes cerimoniais, manto escuro com escritas em verde em alguma língua há muito esquecida, usava também um capuz estranho em forma de lula que lhe conferia um aspecto medonho.
-Pessoa perfeita? Do que você está falando? Você sabe quem eu sou? Sabe quem é meu pai?
Risada estridente.
-Lógico que eu sei, você é surdo? Sei quem você é e sei quem é seu pai, você não foi escolhido ao acaso.
Contava o seqüestrador rasgando a camisa do prisioneiro e lhe cortando o em formas que ele não entendia.
-Mas você deveria sentir-se honrado com tamanha importância de sua missão, muitas vidas serão salvas graças a você.
-Como assim, você trabalha para alguém?
-Digamos que sim, mas já está na hora, temos que ir.
E falando isso abriu uma porta que o prisioneiro não conseguia ver e saiu puxando a maca. Carregou até a entrada de um túnel bruscamente inclinado para baixo, direto para o centro da terra. Ele não sabe se perdeu a consciência ou já estava delirando mas pareceu que estavam descendo a muitas horas, até que enfim chegaram a dois portões, que pareciam serem feitos da mesma rocha escura que revestiam as paredes e o chão, o ser encapuzado abri-o com esforço, e ao abrir foram bombardeados por um odor repulsivo de mofo e coisas podres. Do outro lado havia um grande salão sustentado por grandes pilares, e no centro o que parecia ser um poço com grilhões suspensos sobre ele.
Outros se juntaram a eles, vestidos também com trajes esquisitos, embora mais simples do que do homem que o seqüestrara, ele parecia ser o líder.
-O que vocês vão fazer comigo?
Gritava ele, mais não foi respondido, ao invés foi preso as correntes sobre o poço, os cultistas fizeram um circulo em torno do poço e entoaram uma música maldita.
O prisioneiro gritava e se debatia já em pânico, seu sangue pingando para o fundo do poço, os cântigos mais altos, a visão escurecendo, o coração mais rápido, tentáculos negros subindo pelo poço, os cântigos mais altos, o coração mais rápido e então silencio e nada mais importava.

Apaixonado por uma Vampira!

Em uma cidade do interior, a vida era boa, agricultores cuidavam de suas plantações ao som de um bom vanerão
Sem saber o q se escondia enquanto o sol estava à mostra e que se libertava quando a lua nascia.
Igor foi a esta cidade a procura de festas, bailes e mulheres. Diziam que lá as festas eram ótimas e que aviam muitas mulheres.
Igor que se dizia um galanteador, na primeira festa já tinha ficado com muitas garotas. Quando ao canto do salão ele viu aquela linda mulher, de seios fartos,
Lábios lindos e incríveis olhos verdes. Ele sem pensar duas vezes se aproximou e disse:
- Oi? Qual o seu nome?
Ela olhou pra ele e não respondeu.
Ele continuou:
- Hei, sabia que te achei linda?
Mas ela continuou sem responder.
Ele virou as costas para ela e quando deu o seu primeiro passo para sair daquele lado do salão, ouviu uma voz suave, relaxante que penetrou em seus ouvidos:
-É assim? Você desiste tão facilmente do que quer?? Pensei que teria encontrado alguém interessante realmente, mas vi que é apenas mais um.
Igor voltou e disse:
-Porque não respondeu?
Ela respondeu dando um sorriso:
-Era um teste
Ela se levantou e disse para Igor segui-la. Ela saiu do salão, entrou em um beco onde havia uma porta e disse:
-Moro aqui, vamos entrar?
Igor fez um sinal de sim com a cabeça e os dois entraram.
Tiveram uma Ótima Noite, mas ao amanhecer, Igor estava deitado na cama do hotel onde estava hospedado.
Igor se levantou pensando naquela bela mulher. Qual será o nome dela? Será que realmente aquilo aconteceu?
Foi ao banheiro e enquanto escovava os dentes, viu uma marca de em seu pescoço e disse:
- Aconteceu sim, eu realmente passei a noite com aquela mulher.
Chegou à janela e afastou as duas cortinas que tapavam a forte luz do sol.
Deu um rugido e pulou para o lado da cortina onde a claridade do sol não alcançava e dizia enquanto seu corpo reagia como se tivesse queimando:
- Meu corpo! Que dor horrível, por que sinto essa dor ao chegar à luz?
Será que tem a ver com que aconteceu ontem à noite? Vou esperar o entardecer e vou voltar para o baile e ver se encontro aquela mulher novamente ou talvez vá até a casa dela.
A noite chegou e ele se arrumou, vestiu roupas escuras, pois às claras ardiam seus olhos.
Chegando ao baile muitas mulheres queriam passar a noite com ele, mas ele só tinha olhos para aquela mulher.
Procurou por todos os cantos e nada, saiu do baile e foi até a casa dela, mas uma senhora de idade atendeu.
Ele perguntou sobre aquela mulher e a senhora pediu que ele entrasse.
Já lá dentro da casa a senhora pegou uma foto e perguntou:
- foi essa a mulher que você esta procurando??
Ele fez um sinal de positivo com a cabeça.
A velha começou a chorar e disse:
-Não pode ser essa é minha filha, faz anos que não a vejo, pois ela desapareceu e nunca mais voltou.
Igor voltou para o hotel pensando naquilo.
Eram 03h00 da manhã da manhã e ele não conseguia dormir, pesadelos e muita dor em seu corpo inteiro fizeram com que ele se levanta-se e saísse caminhando pelas ruas.
Quando chegou a uma rua escura, viu um vulto que pensou ter sido daquela mulher e entrou na escuridão atrás dela.
Nenhum ruído naquele instante, apenas de seu coração batendo cada vez mais rápido.
Sentiu que alguém estava atrás dele e quando se virou era aquela mulher. Ela olhou para ele e ele notou que o verde dos seus olhos haviam se transformado no vermelho do inferno.
Ela furou o coração de Igor com uma estaca e disse:
-Dei poder a você e você não soube usa-lo, deixou seu coração tomar conta de seu corpo. Vou te matar, porque não quero que você fique me perseguindo. Ridículo, eu apenas queria ter prazer com você, pois vampiros não tem coração.
Depois de falar isso, virou as costas, arrumou seu vestido e seguiu enquanto o pobre Igor virava pó em meio à escuridão.

Os Demônios Estão Por Toda a Parte

Ladeira escura e sem termo
Neva e venta o tempo todo
Lodo, encruzilhadas, uivos de lobos
Parecem sair das paredes.
Voam morcegos e abutres
Entre os archotes de um cemitério.
Diabretes saem do chão
Serpentes metem-me os dentes.
Maldita musica petrificante!
A minha frente um zumbi
Atrás de mim um mutante.
Finalmente o portal encimado
Por dragões de ferro em brasa.
Deve ser esta a casa
Do Tinhoso que procurava.
Faço tocar a aldrava
E o portão se abre aos poucos.
Ouço um rugido medonho
Saindo da cova da Besta.
Economizei bala e espada
E um bônus de sete vidas
Agora uma mão ossuda e comprida
Aponta sobre a minha cabeça
Finalmente achei o código
Que a última etapa guardava
Com ele libero uma arma
Que salva o mundo do diabo
666, 1313, 7,7,26
Como era mesmo o nome do rei
Que salvei na segunda etapa?
Ups! Este jogo é mesmo uma merda.
Vai começar tudo de novo.

O Retrato do Bebê

Ninguém se salva
Do naufrágio da própria alma.
Quisera que o mar do não-ser
Em fulminante amplexo
Tivesse me levado da vida
Mas não fui eu a escolhida.
Foi assim
Que a última centelha se esvaiu.
Na fria tenaz de um fórceps
Vítima da orgia genética
Jaz nesta sala acética
Meu pobre filho sem nome.
Morreste
Na mesma negra ignorância em que nasceste.
Voltaste ao nada e nada foste
Senão a experiência malfadada
De um deus louco varrido.
O primeiro vagido
Foi teu último suspiro de vida
Inocente condenado
A ser uma corruptela de humano
Minha pobre criança mutante
Teu corpo com duas cabeças
Enfeitará a estante
Do laboratório de anatomia.

O Inseto

Calhou a um inseto recém emerso de sua última metamorfose que viesse ao mundo na cela de um monge que naquele momento expirava num último frêmito silencioso. No exato momento em que o monge arregalou os olhos diante da morte o inseto pousou sobre os lábios ressecados do ancião recebendo-lhe o derradeiro sopro de vida. Ato contínuo o inseto alçou voo conforme seus instintos, mas de imediato sentiu uma vertigem que o fez cair sobre um livro de orações aberto em cima de uma mesinha tosca sobre a qual repousavam também um terço muito velho e um castiçal de estanho.
Mal recuperou os sentidos, o inseto pôs-se a pensar, o que de modo algum condizia com sua condição de invertebrado e artrópode. Agora duas naturezas lhe impeliam. Por um lado os instintos por outro, um turbilhão de pensamentos, de imagens e impressões que não pareciam lhe pertencer. De imediato, os instintos básicos falaram mais alto, impelindo-o ao vôo, em busca de alimento e procriação. Ao mesmo tempo o ambiente majestoso do mosteiro o atraia enormemente. Desnorteado o inseto vagou entre colunas esguias e abóbadas até encontrar o caminho para o jardim interno do mosteiro. O ar fresco e o sol da primavera fizeram-no esquecer por um instante o estado torturante em que se encontrava sua pequena mente. O perfume de um arbusto florido atraiu-o, depois foram restos adocicados de um pão, uma gotícula d’água para matar a sede, em seguida o âmbar fluindo de um plátano, até que o hábito marrom de um monge sentado à sombra atraiu-o por mimetismo. Pousando suavemente sobre o ombro do jovem monge que não se lhe deu por conta, pôs-se a ler a página amarelada de um livro que o religioso abrira sobre as pernas. Como contava com mais de um par de olhos e muita curiosidade o inseto leu de pronto a página do livro surpreendendo-se com a revelação da existência de um Espírito eterno, perfeito, onipresente, onisciente e principalmente de infinita bondade e compaixão, criador e juiz de tudo o que havia a sua volta e tantas outras coisas que não vira ainda em sua jovem existência de inseto. Por certo havia sido aquele Espírito Absoluto que o criara e que o fizera pensante. Entretanto, a razão de ser da maioria das coisas a sua volta lhe escapava. Aqueles homens silenciosos que vagavam pelo mosteiro, o que mais faziam além de curvar-se sobre os livros e morrer na companhia de insetos? E para além das paredes colossais do edifício, haveria outras criaturas, outros jardins? Com certeza. Mas como seriam? E acima das nuvens, além da Terra? Como a luz solar poderia ser tão perfeita, nem sutil demais, nem abrasadora em excesso? E o que dizer dos alimentos que se encontrava em profusão?
E assim ficou a conjeturar o inseto, até que novamente os instintos dele se apossaram arrastando-o até uma fêmea. Enquanto copulava ficou a imaginar o sentido daquele arrebatamento. Parecia que seus apetites também atendiam a uma lógica. Mas qual seria esta lógica?
Quando se desvencilhou da fêmea sentiu os primeiros pingos de chuva cair sobre o jardim. Logo a chuva caiu copiosamente e a brisa primaveril transformou-se em ventania a varrer tudo pela frente. O inseto também foi arremessado por entre arbustos, ao sabor do vento e por pouco não se afogou numa poça d’água, salvado-se pela queda de um ramo ao qual apegou-se instintivamente. A fêmea com a qual copulara, entretanto, não tivera a mesma sorte, jazia coberta de lama e despedaçada, poucos metros adiante. O incidente levou-o a fazer novas conjeturas sobre o Ser onipotente. Teria sido ele que o salvara da morte? E porque não salvara a fêmea se o livro do monge o descrevia como um ser de infinita bondade e compaixão?
Aturdido o inseto tratou de voar para lugar seguro e seco. Num vôo errático alcançou uma janela aberta em arco por onde entrou. Naquele recinto enorme juntavam-se os monges para ler à luz de candelabros. Havia muitos livros e o inseto sentiu desejo incontrolável de lê-los, tarefa que logo percebeu impossível. Percebeu, também, que outros insetos de outras espécies abrigavam-se naquele salão, alguns a voar como insanos em volta das labaredas das velas, outros a comer a madeira das estantes e outros a comer as brochuras, pergaminhos e tecidos,outros ainda a fazer ninhos, ocupando-se, vejam só, unicamente de viver, excretar,reproduzir-se e morrer. Mas ele era afinal, diferente, ocupava a maior parte do tempo a pensar.
Vagou por sobre muitos livros abertos, encantou-se com a geometria euclidiana, com as Sumas, com os poemas e iluminuras. Num dado momento pousou sobre uma mesa onde liam dois monges bem velhos. Um deles atinha-se a um tópico interessante que dizia serem todas as criaturas vivas obras do Criador e que por isto deviam ser respeitadas e amadas. Mal lera a última linha quando um dos monges apontou na sua direção e observou: _Veja que inseto estranho, tem uma cabeça enorme. É repugnante, nunca vi nada igual! O outro monge espantou-se e disse: _Trate de matá-lo, pode ser venenoso. O monge mais velho levantou o livro que lia e num golpe tentou esmagar o inseto que apesar do susto ainda conseguiu voar. O golpe arrancou parte de uma das patas traseiras do inseto que, mesmo assim, voou num espiral ascendente.
A salvo sobre uma viga do teto, imerso na escuridão, o inseto refletiu sobre o paradoxo que experimentara há pouco. Por que os monges atentaram contra a sua vida, tão insignificante e inofensiva, mesmo após terem lido as abençoadas palavras do Criador sobre o respeito às criaturas? Teria o Criador abandonado sua obra, entregando-a ao acaso? Existiria, afinal, o tal Criador? Que afirmação tola. Com certeza, havendo uma natureza tão repleta de diversidade certamente haveria uma causa inteligente e esta causa seria o Criador. Mas, afinal, qual seria o propósito da existência? E da morte? Qual seria a função de um monge e de um inseto no concerto das coisas?
Perdido em suas divagações o inseto mal percebeu a aproximação de uma aranha que matreiramente avançava a saltos curtos em sua direção. Graças a sua percepção de inseto pode safar-se das quelíceras da aranha faminta, lançando-se num salto sobre o imenso espaço aberto da biblioteca. Novamente os instintos o haviam salvado das distrações provocadas pela sua inquietante capacidade de especular sobre os porquês.
Enquanto zunia acima dos monges sofreu o ataque impiedoso dos morcegos que chegaram a deslocar uma de suas asas, impossibilitando-o, daí por diante, de voar. Agora se agarrava à lombada de um velho livro cuja cor lhe garantia a quase invisibilidade. Sentia-se fraco e dolorido. Além disto, seus instintos mandavam que se alimentasse urgentemente. Talvez algum monge deixasse alguma migalha ou uma flor sobre a mesa de leitura. Se conseguisse arrastar-se até lá, escapando dos morcegos, teria chance de sobreviver.
Mesmo faminto, sua mente inquieta não parava de perscrutar o mundo e o transcendente. Afinal, pensava como o Criador sendo perfeito engendrara uma criação imperfeita, cheia de contradições? Seria, então, o Criador imperfeito? E, sendo assim, qual o sentido das imperfeições da matéria? Sua própria situação parecia-lhe um paradoxo. Um inseto pensante, mas preso aos caprichos dos instintos? Um ser inofensivo, alvo da fúria e ignorância dos homens e dos instintos dos outros seres.
A lua cheia subiu no firmamento até atingir, em cheio, uma das janelas da biblioteca e encontrou o inseto já quase sem forças, ferido e à mercê dos predadores. Àquela altura da noite os instintos do inseto avisavam-no que seu relógio biológico marcava para breve o momento de sua morte. O inseto perguntava a si mesmo o porquê de uma existência tão breve e aparentemente sem sentido. Nem mesmo suas dúvidas mais elementares haviam sido respondidas. As respostas estariam em algum dos milhares de livros da biblioteca? Estariam na mente dos monges? Provavelmente não.
De repente, deu-se por conta que havia cometido um erro capital, desperdiçara a vida de inseto com especulações acima de sua capacidade, deixara, portanto de fruir do tempo que lhe havia sido dado, já não importando se pelo puro acaso ou pelo Criador. Neste instante o inseto perdeu as últimas forças e desprendeu-se da lombada do livro, despencando no vazio noturno.
No dia seguinte o monge encarregado da limpeza da biblioteca e também entomólogo amador encontrou o exoesqueleto do inseto sobre o piso e surpreendeu-se com suas peculiaridades anatômicas. O inseto tinha uma enorme cabeça sobre a qual havia uma espécie de carapaça, lembrando um capuz. Seu corpo era de um marrom idêntico ao dos hábitos usados por aquela ordem religiosa. Buscou numa prateleira um grande compêndio sobre insetos e verificou que nada constava sobre aquele estranho animal o que o deixou extremamente entusiasmado com a possibilidade de ter descoberto uma nova espécie, o que se confirmou alguns meses depois. A descoberta foi tão inusitada que a ordem religiosa a registrou em seus anais e ainda agregou ao símbolo do monastério a figura do inseto-monge, que assim passou a existir para sempre.