Melhor site que eu já vi para baixar filmes:http://casadoterrortorrent.blogspot.com.br/
23 de ago. de 2013
Meu Maior Mico
O meu maior mico foi quando eu fui com 8 anos no mercado junto com o meu vô e ele esqueceu que eu estava lá,todo os que trabalhavam no caixa começaram a rir de mim.
Se você tem um blog ou site,eu desafio você a contar o seu maior mico,completo,todos os detalhes.
Postado por Felipe às 06:13 0 comentários
17 de ago. de 2013
Orfanato
Nos últimos meses eu estava com pouquíssimas oportunidades de trabalho, o movimento era tão baixo que mal conseguia comprar a comida da semana. Conforme o mês ia acabando eu me desesperava mais. Foi em meio a esse desespero que me surgiu a oportunidade. Trabalhar como segurança no orfanato municipal que está desativado. Não havia a mínima chance de recusa, o salário era extraordinário, a única condição era morar no serviço durante a semana.
O orfanato desativado era um marco na pequena cidade, um casarão imenso de estilo colonial situado no alto do morro ao lado da praia. Todos na cidade conheciam o local, era quase um cartão postal. Suas paredes brancas refletiam, durante a noite, as luzes emanadas dos faróis. Era uma obra de arte em forma de prédio. A história que sai da boa dos antigos é que o orfanato havia sido desativado na década de 40 devido a um surto de tuberculose que atingiu as crianças. Desde então o prédio está vazio e foi posto a venda alguns anos atrás.
Sem titubear eu topei o serviço, seria a oportunidade perfeita. Além de um bom salário fixo e a oportunidade de alugar um apartamento menor eu iria ocupar minha cabeça no serviço e esquecer um pouco de Priscila, ela já se foi há 3 anos. Seria como um tratamento gratuito contra a depressão e ócio, mal pude esperar. Arrumei minhas malas e preparei tudo, teria que começar de imediato, pois o antigo vigia havia abandonado o serviço, assim o fiz.
Um zelador me mostrou o prédio e os aposentos, a velha casa estava caindo aos pedaços. As paredes todas rabiscadas, tabuas soltas no chão, faltavam telhas, e ainda assim era uma casa linda. As salas eram imensas e meus aposentos eram dignos de um filme de alto orçamento. Eu iria desfrutar minha vida de rei como um segurança do orfanato.
Minha primeira semana de trabalho foi extremamente calma, a única coisa que me atrapalhava era a luz do farol clareando meus aposentos constantemente, amarrei uma toalha preta em minha janela e resolvi o problema. Passeia a semana lendo alguns livros antigos, vendo fotos de minha época feliz e, principalmente, rodando o casarão de cima a baixo. Arrependi-me de ter trazido pouco material para distrair a cabeça, mas a semana foi melhor do que eu esperava.
Confesso que era medonho passar as noites vagando por aquele casarão. Fazia muito frio no alto do morro e as casas antigas sempre parecem ter um tom misterioso. Nunca fui de cair em crenças bobas, não acreditava em assombrações e espíritos. Sempre que, durante a noite, eu ouvia barulhos e ruídos, procurava e encontrava uma explicação lógica. O piso de madeira estralava devido a umidade, as grandes janelas que miravam para o mar criavam correntes de ar, as luzes do farol criavam sombras nos cômodos da casa. Tudo tinha uma explicação.
Foi assim que passei a primeira semana. Dormi pausadamente durante o dia e rondava a casa durante a noite. Esqueci-me de tudo que rondava minha vida fora do orfanato. Na caída do sol de sexta-feira chegou o outro vigia para tomar o posto, era César.
-E ai, novato, passou bem?
-Prazer, meu nome é Pablo. Foi uma semana interessante, nada demais.
-Prazer, César. Não enlouqueceu? A casa fala durante a noite, sabia?
-A natureza fala, César, a casa é só uma casa. – Falei enquanto colocava a mochila nas costas para ir. Saí andando.
-Assim você tenta se convencer.
Essa frase de César foi tema do meu final de semana. Enquanto eu arrumava as coisas para me mudar para um apartamento menor, continuava pensando no que aquele vigia me disse. Poderia ser só besteira, mas eu estava com uma sensação de impotência com relação ao casarão. Para me precaver do tédio resolvi levar mais livros e vários maços de cigarro, ia ter que ocupar minha cabeça. Mente vazia é oficina do orfanato.
Na segunda-feira deixei minha casa com todas as caixas arrumadas, meus vizinhos ficaram com a chave para entregar ao pessoal da mudança. Tomei o rumo para o orfanato, pelo menos lá dentro eu pensava menos em Priscila. Enquanto eu subia os muitos metros de morro ia observando o esplendor do casarão no começo da manhã. Ainda tudo meio escuro e a construção com três grandes janelas ostentava seu poder. Em uma delas pude ver uma silhueta, com certeza César me aguardava.
Cheguei à casa e coloquei minhas coisas no quarto, mas nada de Cesar. Procurei em toda a extensão do casarão, nada. Apesar de incomodado, concluí que ele havia descido quando me avistou chegando, fui ler e me ocupar. As horas passavam lentamente e eu já estava na metade de todos os livros que levei, e só começou a cair a primeira noite. Foi quando tudo piorou.
O farol estava apagado e os barulhos na casa eram cada vez mais nítidos. Ouvia-se o som dos grilos e morcegos ao redor, era uma sinfonia assustadora. Em minha volta em sentia algumas sombras passeando, eram grandes as sombras e não havia luz. Os barulhos no assoalho se assemelhavam a passos, eram cada vez mais pesados. Eu continuava andando durante as longas horas da noite e meu pensamento racional ia dando lugar às paranóias dos populares. Foi então que o avistei, jogado ao chão um velho caderno de capa vermelha onde pude ler o nome César.
Era um velho diário empoeirado, dentro dele havia anotações de inúmeros pensamentos do meu colega de serviço. Sentei-me á beira de um degrau da escada e, iluminando com a lanterna, passei a ler aleatoriamente seu conteúdo. Poesias, desabafos, histórias de família, havia de tudo lá. Quando cheguei às ultimas paginas fui tomado por um arrepio, César estava escrevendo sobre uma noite do serviço, completamente assustado.
“Ela está vindo, e vai me pegar. Os barulhos são mais fortes a cada minuto, a menina dos olhos de mel quer minha alma. Não posso mais correr, só posso rezar por ajuda, ou por uma luz. Esse lugar deveria ser fechado... 15/11/1972”
A data era de exatos 40 anos atrás, aquilo me colocou em desespero. César, o vigia que conheci mal tinha trinta anos de idade, como seria possível? Quando me apoiei para levantar vi ao meu lado, nitidamente, Priscila. Ela estava com uma aparência ótima, mas não sorria. Quando pensei em falar ela me interrompeu:
-Corra, Pablo. Ela quer sua alma.
-Como assim, quem quer? Priscila, como é possível que... – Antes de finalizar a frase eu avistei por cima do ombro do meu amor uma menina de olhos amarelos, cabelos pretos, roupão branco. Ela flutuava em minha direção, corri como nunca.
Eu sequer olhava para trás, consegui escapar pelo fundo da casa e corria em direção à estrada. Eu estava tão perto, faltava tão pouco, só pude sentir uma mão fria me empurrar de lado. Enquanto caí o penhasco em direção ao mar, pude ver a menina dos olhos de caramelo assistir tudo lá de cima. Junto ao meu corpo, incrustados nas rochas, estavam os ossos de uma criança.
Sentei-me na soleira da porta, ou melhor, o que restou de mim sentou. Eu estava perplexo, não entendia, sabia que meu corpo estava nas pedras, mas eu estava ali. Ao meu lado se sentou César, ele sorria e olhava para mim.
-Eu avisei, novato.
-O que é isso?
-Ela estava com fome, quis sua alma e pegou para ela, assim como a minha quarenta anos atrás. A menina que você viu foi a primeira a contrair tuberculose aqui, foi jogada do penhasco pelos funcionários que tinham medo da doença. Agora você pertence ao orfanato, nunca mais sairá daqui. Aproveite para se divertir com o próximo vigia.
Eu passo meus dias aqui agora, observando de fora. Essa semana chegou Carlos para trabalhar. César se apresentou como zelador, eu irei cumprimentá-lo hoje no fim da tarde. Estamos apostando para saber quanto tempo ele dura, Priscila acha que ele não passa da semana que vem.
Postado por Felipe às 06:02 0 comentários
Marcadores: Contos
Cães Assassinos
Era quase meia-noite. Maria caminhava preocupada. Não devia estar na rua naquela hora. Muito perigoso. Apertava mais o passo. Estava quase correndo. Parecia que sua casa nunca chegava.
Sentia um medo muito grande. Precisava passar por um pedaço da rua que possuía um grande terreno baldio e era escura. Devia ter dado ouvidos a Sônia e ter dormido na casa dela. Mas a preocupação com a sua mãe, sozinha esperando-a, fora maior. Decidiu que comprará um telefone para evitar esse tipo de problema. Bastaria ligar e pronto. Amanhã mesmo verá isso. Agora é fácil ter telefone ou celular. Melhor telefone. Continuava caminhando, rezando. A parte escura do caminho estava chegando. O relógio da igreja da Lapa soou meia-noite. Quando estava na metade do caminho sentiu uma mão por trás que tampou-lhe a boca e a arrastou para o meio do mato. Ela lutou, mas a mão era forte. Foi jogada no chão. Implorou para que ele não fizesse nada. Ele a mandou calar a boca. A lua, que até então estava encoberta por nuvens, surgiu. Redonda, grande, iluminou o rosto do homem. Maria olhou bem para ele. Implorou, pediu, chorou. Ele mandou calar a boca.
Enquanto ele fez o que quis Maria olhou bem para ele. Quando acabou ele disse:
-Você olhou muito para mim.
Ele sentiu o olhar mudo de Maria. Um olhar cheio de ódio. Ela disse numa voz rouca:
- Eu vou me vingar de você. Mesmo se você me matar eu voltarei e me vingarei de você.
Ele riu e disse:
- Você não é a primeira que eu mato. Colocou as mãos no pescoço dela.
No outro dia, uns moleques encontraram o corpo e chamaram a polícia.
João, como todos os dias, chegou em casa às seis horas. Entrou, tomou banho, jantou e se recolheu em seu quarto. Trancou a porta. Os pais e as irmãs ficaram na sala assistindo televisão. No dia seguinte, saiu de casa e viu, do outro do lado da rua, um cachorro enorme preto. Não se incomodou.
Não gostava de cachorros. Trabalhou normalmente. Quando chegou em casa, viu o cachorro novamente. Todos os dias o cachorro estava ali, acompanhando quando ele saía e esperando a sua chegada. A presença ostensiva do cachorro incomodava João.
Um mês depois, eram dois cachorros. Depois três e depois quatro. Eram todos negros e grandes.
Olhavam para ele. Não o seguiam na rua. Quando João, de sua janela, olhava para a rua, os cachorros estavam olhando para ele. Resolveu que no dia seguinte chamaria a carrocinha para recolher os cachorros.
A carrocinha levou os cachorros. Eles não esboçaram nenhuma reação. Na manhã seguinte eles estavam lá de novo, olhando para João que os olhava da janela.
Segunda-feira. Onze horas da noite. João olhou a rua de sua janela. Os cachorros não estavam lá fora. Sem fazer barulho, saiu de casa. Caminhou olhando para trás. Não viu ninguém. Muito menos os cachorros. Entrou no mato. Sentou sobre uma pedra e esperou.
Logo surgiu uma moça caminhando apressada. Ele levantou-se e a atacou. Quando a estava arrastando para o meio da mata sentiu uma fisgada na batata da perna e gritou de dor.
Soltou a moça. Ela correu. Ele olhou para baixo e viu o enorme cachorro preto preso em sua perna. Apareceu outro que lhe mordeu a outra perna. João caiu. Apareceram os outros dois. Os cachorros o arrastaram para a mata. João gritava de dor. As nuvens andaram e a lua cheia apareceu no céu. Quando pararam de arrastá-lo, um dos cachorros subiu em cima dele e olhou nos olhos dele. João viu o olhar do cachorro sob a luz do luar:
- Eu não disse que ia voltar e me vingar. Voltei e trouxe as suas outras vítimas.
João compreendeu. Fechou os olhos. Os cachorros estraçalham o corpo de João.
Comeram sua carne a noite inteira. Cavaram um buraco e enterraram os ossos.
Postado por Felipe às 06:01 0 comentários
Marcadores: Contos
A Sombra
A temperatura estava muito baixa, rajadas de vento eram lançadas em um
curto espaço de tempo e muitos podiam jurar que aquela era, sem sombras de
dúvida, a pior frente fria registrada em muito tempo. Os trovões seguidos de
relâmpagos ecoavam através da rua de uma forma muito barulhenta, porém ainda
levaria uma boa quantidade de tempo para que a água começasse a cair dos céus.
Pelo menos era aquilo que Ricardo achava que iria ocorrer.
Fazia pouco mais de vinte minutos que havia acordado e estava observando o teto
de seu quarto, como se lá em cima tivesse alguma coisa importante para ser
observada com tanta atenção, mas de qualquer forma não conseguia voltar a
dormir. Algumas vezes olhou para sua direita para ver o berço, o qual ficava
encostado na parede cerca de cinco passos da onde Ricardo dormia, e apreciava
seu pequeno filho dormindo. “Ele é tão perfeito”, costumava pensar durante o
dia e dizer a seus amigos e familiares sempre que tinha a chance.
Já na sua esquerda, sentia a presença de Daniela e também conseguia ouvir sua
respiração pesada, que não chegava a ser um ronco irritante, apenas demonstrava
que estava tendo uma ótima noite de sono, completamente oposta do que ele
estava passando. Apenas pelo simples fato de estar no mesmo cômodo junto dos
dois, Ricardo já se sentia feliz e em um estado mental tranquilizador. Amava os
dois mais do que a própria vida.
Conseguia sentir o sono se reaproximando, seu corpo já estava fora de seu
controle até o momento em que um forte raio acertou um disjuntor num poste no
final da rua, causando um forte som devido à explosão e fazendo com que os três
acordassem assustados quase que no mesmo instante. Aquela seria uma longa noite
e Ricardo já havia realizado aquilo. A única parte boa de tudo aquilo era o fato
de já ser domingo, embora ainda fossem as primeiras horas da madrugada, e
poderia dormir tempo suficiente pela manhã para compensar a péssima noite que
estava passando.
Não demorou nem dois segundos até que Henrique começou a chorar e Daniela dar
um verdadeiro pulo da cama, usando os dois braços para dar um forte abraço em
seu marido, que também se levantou o mais rápido possível.
- O que aconteceu? – perguntou Daniela dando um grito e respirando pesada e
rapidamente.
- Apenas um raio – respondeu Ricardo da forma mais calma possível enquanto
calçava seus chinelos – Deve ter acertado um poste ou algo do tipo. Deixe que
eu pego o menino e você se acalma enquanto isso.
Apertou algumas vezes o interruptor em cima da cama, mas obviamente a casa
estava sem energia, da mesma forma que provavelmente o resto do bairro também
estava e a única “luz” no ambiente saía da Lua. Ricardo se levantou, andou os
poucos passos até o berço e carregou seu filho. Precisou de pouco tempo para
acalmá-lo e viu que sua mulher estava quase adormecendo, mas os três voltaram a
se assustar quando um barulho, parecido com o de uma porta se batendo, surgiu
no andar de baixo da casa.
- Segure-o que eu já volto – disse Ricardo entregando o bebê à Daniela antes
que ela pudesse dizer algo – Aproveito e já trago algumas velas.
Não fazia a menor ideia do que havia causado o barulho que, de certo modo,
tinha causado um leve arrepio por seu corpo, mas como aquela estava sendo uma
de suas piores noites na vida, tudo estava cooperando para que continuasse
daquela maneira. Passou pela porta do quarto, andou mais um pouco até chegar à
escada.
Mal conseguia enxergar seus pés, portanto desceu a escada da mais lenta e
cuidados forma, colocando os dois pés juntos em cada degrau e se apoiando no
corrimão. Estava na sala e começou a caminhar pelo local, dando algumas
observadas na tentativa de encontrar algo que poderia ter causado o barulho.
Enquanto “brincava” de detetive o vento continuava forte do lado de fora, os
trovões surgiam em pequenos intervalos e mais um forte barulho surgiu, fazendo
com que sua mulher desse outro grito na parte de cima. O barulho saía da
cozinha.
- Calma querida, não é nada demais, daqui a pouco já irei subir! – gritou
Ricardo numa tentativa de tranquilizá-la. Odiava vê-la com medo ou qualquer
coisa que a deixasse desconfortável.
A cozinha era pequena e não demorou muito para que Ricardo a revirasse na
tentativa de algo, mas em vão. No instante em que estava lá um relâmpago
iluminou-a inteira, dando tempo suficiente para uma observação na claridade e
dar a total certeza a Ricardo de que não havia nada por lá de diferente. Apenas
abriu o armário, pegou as duas únicas velas que estavam lá (mas eram duas velas
grossas), uma caixa de fósforos e voltou para subir as escadas.
Subiu da mesma forma que havia descido, com toda paciência para evitar uma
queda, o que não seria muito difícil de acontecer para alguém que estava
passando uma noite difícil como aquela. Quando estava no antepenúltimo degrau
conseguiu ver que uma leve luz vinha de seu quarto, era possível perceber que
algo estava aceso lá dentro. Andou um pouco mais rápido do que estava
acostumado a andar dentro de sua casa e no momento em que entrou no quarto não
conseguiu fazer outra coisa a não ser ficar paralisado boquiaberto e derrubar
as velas e o fósforo no chão.
Daniela estava caída de bruços no chão ao lado do pé da cama com uma poça de
sangue se formando logo abaixo de seu corpo; era possível ver que seu curto
cabelo loiro estava sujo de sangue, indicando que o pescoço estava com várias
mordidas violentas, assim como suas pernas, seu corpo (seu pijama estava
rasgado e manchado de sangue) e um braço havia sido arrancado. Seu filho
Henrique estava sentado logo à frente do corpo, segurando o braço arrancado da
mãe logo à frente de seu rosto, como se o estivesse comendo; o sangue já ia
formando uma trilha do corpo e ia se arrastando até a porta e o braço, que
estava sendo segurado pela criança, expelia uma enorme quantidade de sangue,
aumentando ainda mais a brutalidade daquele ato.
Henrique largou o braço no chão e lentamente se levantou, virando o rosto para
Ricardo. Seu rosto não era mais de uma criança de um ano e meio, nem de nada
que pudesse ser chamado de humano: Os olhos estavam arregalados, a boca
revelava um sorriso demoníaco e que revelava ser uma expressão “alegre”, ele
estava gostando do que estava fazendo.
As primeiras gotas de águas começavam a cair do lado de fora, os trovões
continuavam e do lado de dentro Ricardo permaneceu imóvel observando a criança
parada a poucos passos à sua frente, sem se dar conta de que a luza que era
emitida pelo quarto não possuía uma fonte, era uma luz que surgia do nada. Não
sabia o que fazer, ele havia matado sua mulher, mas não deixava de ser seu
amado filho, e enquanto os dois estavam imóveis uma espécie de sombra saiu do
corpo de Henrique e foi em direção de Ricardo, derrubando-o de costas.
Demorou quatro segundos para abrir os olhos novamente, pois a pancada na cabeça
havia sido forte o suficiente para quase desmaiá-lo, mas apenas quase. Quando o
abriu viu que seu filho estava em cima de seu corpo, ainda continha aquela
expressão perturbadora em seu rosto e Ricardo conseguia ver algo logo atrás de
Henrique, aquela mesma sombra que tinha visto há pouco tempo atrás, mas estava
conseguindo vê-la detalhadamente: Lembrava o corpo de um homem, porém não o
corpo de um homem comum, pois aquela sombra continha duas coisas na cabeça que,
à primeira vista, lembrava um par de chifres.
Estava tentando observar melhor aquela sombra até que Henrique começou a
estrangulá-lo com tamanha força que Ricardo conseguiu deduzir que a sombra
transmitia aquela força para a criança de alguma forma. Tentava tirar as duas
mãos de seu pescoço, mas era impossível pelo fato da força ser muito maior e quando
não conseguia encontrar uma solução lembrou-se das velas caídas logo ao seu
lado. Conseguiu alcançar uma delas e bateu com a maior força que pôde na cara
de Henrique, derrubando-o no chão com muita força.
Esperou mais alguns instantes e percebeu que a criança não iria se levantar,
nem fazer mais nada, portanto Ricardo levantou-se com certa dificuldade, pois
sua cabeça doía muito, e olhou para o corpo de Henrique esticado ao chão, com
uma grande quantidade de sangue começando a sair de seu nariz e sua boca.
Estava com os olhos abertos, mas a expressão em seu rosto era a de uma criança
normal novamente, mas era apenas uma criança morta. Logo ao lado estava o corpo
de Daniela todo desfigurado devido uma morte de incalculável monstruosidade.
Deu mais uma olhada através do cômodo e percebeu que não havia mais nenhuma luz
por lá e nem uma sombra rodeando o local. A chuva estava forte do lado de fora,
os trovões continuavam a fazer barulhos e todo aquele cenário estava fazendo
parte de uma noite em que tudo estava dando terrivelmente errado. Tudo mesmo.
Postado por Felipe às 06:00 0 comentários
Marcadores: Contos
A Mão no Ombro
Preste atenção, esse é um relato real.
Aconteceu quando eu ainda tinha dezesseis anos, mas ainda lembro como fosse ontem.
Acompanhado de meus pais, viajei até Irati, onde moravam alguns de meus parentes. Fomos para uma confraternização de familiares. Carnes, bebida, música e muita alegria. Era sempre assim, sempre. Bons tempos.
Fiquei dois dias por lá, e foi só na segunda noite que dormi na casa desses meus parentes, que o assunto fantasmas foi tocado.
Passei a noite em uma sala de estar, com um colchão estirado no chão. Próximo de mim apenas um de meus primos, Gabriel, também conhecido como O Mala.
- Thomas, tu sabes o que aconteceu nessa sala não?
Olhei para ele e já imaginei:
Lá vem Gabriel com suas historinhas! O garoto sempre aprontava dessas, tentava deixar-me com medo, mas nunca conseguia.
- Não, não sei Gabriel. Comentei, eu já estava de olhos fechados, tentando alcançar o tão esperado sono, pois o dia havia sido cansativo.
- Hum... Bom, não sei se é verdade, mas a mãe conto que os antigos donos daqui, perderam uma pessoa nessa casa, um velho, ele se chamava Aguiar e morreu do coração em uma cadeira que ficava exatamente nessa sala.
- Lorotas Gabriel, lorotas! Comentei sem paciência para ver se ele parava de me encher.
- É a primeira vez que durmo aqui primo... nem gosto de ficar nesse comodo a noite, pode notar como meu quarto é bem longe... Na verdade ninguém gosta, por que você acha que aqui só tem essa mesa e mais nada?
Apenas escutei, sabia que Gabriel iria continuar com a falação.
- E o pior não é isso Thomas, o tal do velho foi velado aqui, parece que o caixão ficou bem ai no meio, onde tu ta dormindo.
Eu não queria, mas ao ouvir aquilo senti um calafrio. Virei para um dos cantos e me apertei no meio das cobertas.
- Boa noite Gabriel. Eu disse com uma voz de quem já setava quase dormindo.
- Boa noite...
Depois da resposta de meu primo veio o silêncio. Por algum motivo o silêncio era assustador. Tentei me distrair pensando em algumas coisas, mas sempre a história do velho me voltava à cabeça.
Gabriel era um desgraçado, daquela vez conseguira me assustar.
Dormi e naquela noite sonhei...
Sonhei que no meio da noite eu ficava deitado de barriga para cima e ao abrir os olhos dava de cara com um caixão bem acima de mim.
Meu corpo paralisava e então eu via o caixão tremendo, balançando.
Até que o velho descia dele e me encarava.
Aguiar no meu sonho tinha uns duzentos anos. Sua pele era podre e descascada. Na cabeça apenas alguns tufos de cabelo. A boca era banguela e o nariz coberto de verrugas.
Eu sentia o cheiro do velho, sabe, aquele cheiro de urina podre, misturado com fezes e talco... o cheiro de idosos doentes. Sim, eu sei que você sabe! Era a situação em que eu me encontrava.
O morto enquanto me fitava disse com uma voz fraca e rasgada.
- Sai dai, deixe eu descansar em paz seu pestinha ou eu lhe arranco os olhos!
Começou a avançar em minha direção, se agachou no chão e já estava bem próximo de mim quando eu no sonho urinei nas calças. Sim, foi só no sonho.
Senti aquela mão, aquela mão grudenta e pegajosa bem em cima de meu ombro. Foi horrível.
O defunto parecia não aguentar e de repente ele desabou em cima de mim, desabou como se tivesse morrido outra vez. Apavorado gritei e foi ai que acordei.
Naquela manhã nós organizamos as coisas para voltar à capital. Não contei para meu primo sobre o pesadelo, mas ele sorrindo para mim em certo momento me perguntou se eu dormira bem.
- Sim.
Menti, menti para não fazer ele rir de minha cara e comemorar o fato de sua brincadeira ter funcionado.
O tempo passou e pouco antes de ir embora toda a família se reuniu para uma foto, o lugar escolhido foi a sala de estar, pois era lá que havíamos acabado de almoçar.
Todos se agruparam e a foto foi tirada, era mais uma entre as outras.
Fui pra casa pensativo e as coisas seguiram como de costume. Até que em uma sexta-feira, quase uma semana depois da viagem, veio a surpresa.
Meu pai e minha mãe sentados no sofá de minha casa, sorriam e riam ao ver as fotos que tinham acabado revelar.
Eu já me esquecera de tudo. Em minha casa me sentia seguro e sem tempo para pensar em assombrações
Foi então que ouvi um som de lamentação vindo da sala e depois a breve conversa.
- Poxa, logo essa que era para ser uma das mais bonitas! Disse meu pai.
- Olha isso amor, ficou parecendo uma mão. Disse minha mão surpresa.
- Verdade, acho que vou revelar essas fotos em outro lugar, isso é problema de impressão.
- Thomas, vem ver. Gritou minha mãe.
E fui, cheguei lá e os dois entregaram a foto em minhas mãos.
Era a foto da família reunida, logo após o almoço.
Olhei para todos, tudo estava certo em suas expressões, até eu havia ficado bonito. Foi só depois de prestar melhor atenção que eu notei os problemas naquela que era para ser uma bela fotografia.
Atrás de todo o pessoal, havia uma fraca mancha negra, que até parecia uma sombra.
E o pior, próximo de onde eu estava a sombra era ainda mais forte, parecia se esconder atrás de mim. Quando vi aquilo a história do velho Aguiar voltou com tudo em minha cabeça e não era para menos, pois em um de meus ombros repousava uma estranha mão branca, a mão parecia vir do além. Lembrei do pesadelo e em minha memória confirmei, aquela só podia ser a mão do morto! Calafrios e mais calafrios!
Meus pais guardaram a foto, o tempo passou e com a ida deles para o outro mundo eu ainda mantenho o sobrenatural artefato guardado.
As vezes eu encaro a foto, as vezes eu mostro para alguns amigos. Especialistas já tentaram comprar ela de mim, mas por algum motivo eu nunca deixei. Também nunca retornei a casa de meus primos, até hoje tenho um pouco de medo e as vezes, a noite, quando eu pego a fotografia para estuda-la, tenho a leve impressão de sentir um peso em um de meus ombros, só que agora eu não ligo, deve ser por que cresci e já estou velho, acho que os fantasmas nem me assustem mais...
Postado por Felipe às 05:59 0 comentários
Marcadores: Contos
A Canção De Embalar
Após finalizar o mestrado de decoração integral de interiores, o Paulo
dispunha-se a fazer as malas e voltar para a sua Galiza natal. Já eram mais de
sete anos a viver em Itália: os cinco primeiros em Milão, onde tinha feito o
curso de design; o resto aqui em Roma, onde deixava muito bons amigos e
experiências inesquecíveis.
Ia-se portanto o Paulo, um pouco tristonho, seguro de que ficaria com saudades.
Assim partia, rumo à sua terra, cheio de lembranças e também com um ótimo
italiano.
Tinha, porém, muitos desejos de reencontrar a sua namorada Carolina, com quem
viria a casar no ano a seguir. Estava também ansioso de lhe contar o que tinha
visto na Internet. Vendia-se perto de Ourense uma grandíssima quinta, composta
de antiga mansão, floresta autóctone e jardins. Tudo por um preço similar ao
dum apartamento. Para um casal que adorava a natureza, esta moradia com bons
acessos à cidade era perfeita.
Em seguida, o Paulo contactou com o homem que tinha herdado a propriedade,
embora não tivesse morado nela jamais.
Lá foram no dia seguinte, depois de o homem lhes dar umas enferrujadas chaves,
e de lhes dizer que ele não ia, sem mais explicações. Iludidos e contentes,
deixaram a autoestrada para colher uma estrada secundária bastante estreita,
que finalmente lhes conduziria ao solar. Aperceberam-se então da espessura do
bosque. Milhares de carvalhos, velhíssimos castanheiros e outras árvores,
ensombraram de repente o caminho, apesar de serem já as tardes muito compridas,
pois estavam em meados de Maio. E assim, mergulhados em pensamentos, chegaram à
vedação da quinta.
Erguia-se ali o paço, majestoso e banhado pelo sol da tarde. As plantas do
jardim tinham-se apoderado duma parte da fachada. A Carolina e o Paulo ficaram
mudos e maravilhados face ao enorme casarão de pedra. Sobretudo, não se
explicavam como era possível tudo isso ter um preço tão reduzido.
Trás a pesada porta, entraram num grande hall presidido por umas escadas de
mármore com balaústre de madeiras tropicais: “Que beleza!”, disseram em coro.
Isto era já suficiente para eles decidirem comprar. Subiram ao primeiro andar
para ver o resto da casa. A reforma teria de ser integral, segundo o Paulo.
Um decorador jovem, com ideias vanguardistas como ele, faria que a casa se
tornasse uma moradia moderna, com um toque de sobriedade, como uma casa de
pedra merece.
No fim do corredor, descobriram o quarto principal, onde teriam dormido
provavelmente algum dia os donos. Ficaram sem ar ao contemplar esta esplêndida
assoalhada. Duas das três altíssimas janelas com varanda davam para o poente.
A Carolina teve vertigens ao debruçar-se numa delas, já que nesta parte e quase
ao pé da casa começava a pendente dum vale. Achou isto muito medonho. Contudo,
o Paulo verificou que a paisagem era espetacular. Convidou-a para entrar e
admirar aquela mobília de mogno, e as valiosas cortinas de veludo azul escuro.
Numa das gavetas da cómoda, a Carolina encontrou uma vestimenta preciosa, feita
num tule bordado. Pareceu-lhe um vestido de noiva, mais acabou por ser de
berço. O autenticamente bizarro era o estado impecável do tecido e a sua
brancura. Concordaram deixar aquele quarto – elegante e luxuoso – intacto.
Foram-se, pois embora o local fosse soalheiro, sentiam um frio que trespassava.
Começaram, pois, as obras que se prolongaram até ao mês de novembro. Nos
primeiros dias, o Paulo subiu ao sótão, lugar da casa que ainda não tinha
visto. Entre os muitos trastes que ali havia, cheios de pó, chamou-lhe a
atenção um lindíssimo berço de madeira com peças de marfim incrustadas. Havia
também um baú, cujo ferrolho foi impossível abrir. Gostou tanto deles, que
pediu aos operários para os porem no quarto grande depois de limpos.
Mandou remover tabiques e fez um grande salão-biblioteca. Conservou as estantes
antigas, onde arrumou os seus livros. Colocou uma carpete cinzenta e uns sofás
modernos ao calor da lareira. Ao pé deles, o cavalinho de balanço que tinha restaurado.
Não estavam ainda terminadas as obras quando o Paulo decidiu passar a noite.
Estava a ameaçar trovoada, e também era muito tarde para voltar à cidade.
Foi-se cedo dormir, pois as poucas luzes da casa iam-se por causa da
tempestade. Tinha frio e não conseguia adormecer.
Tentava acalmar quando começou a ouvir uma espécie de repique. Pensou que era a
chuva, até que, de súbito, distinguiu com clareza o balbuciar dum bebê de
poucos meses. O primeiro que pensou foi que alguém, no meio daquela noite infernal,
estava a bater à sua porta. –E com uma criança! Foi à janela que dava para a
entrada principal. Ninguém... gritou: “Alguém está aí?” Todavia, não houve
resposta nenhuma.
Logo após ter fechado a janela, começou de novo a sentir aquele repique. Já estava
certo de que algum operário tinha esquecido fechar uma janela. Ia resoluto
percorrendo o corredor, quando ouviu outra vez o balbuciar de bebê. Será que há
alguém em casa? Pensou...
Com uma lanterna na mão, abriu porta por porta aqueles quartos ainda sem
terminar de restaurar. Tropeçou nuns tubos que lá tinha o canalizador. O
coração começou a bater com força enquanto se dirigia ao quarto do fundo. Abriu
a porta devagar e deu um grito quando viu o baú a se sacudir com uma força que
o levantava do chão. Desta vez, o raio iluminou a casa toda. O ferrolho
tinha-se movido, mas a cadeia e o aloquete ainda estavam fechados. Deu uma
rápida vista de olhos de fora, ajudado pela luz da lanterna. Aquele balbuciar
inundava-o todo.
Tinha uma sorte de ataque de pânico, o coitado somente queria escapar dali.
Portanto, ainda em pijama, desceu os degraus de dois em dois, pegou o casaco e
as chaves, e foi-se a toda a pressa. No carro, de caminho à autoestrada,
rodeado daquelas gigantescas árvores, parecia que uma enorme garganta o ia
engolir.
No dia a seguir, o primeiro que fez, foi chamar ao serralheiro. Já de manhã,
achou que tinha exagerado muito com a sua reação de medo, seguro de que a força
do trovão tinha sido a causa das sacudidelas do baú. Estava sugestionado e
cansado. Podia ser que tivesse sido um pesadelo. Assim que, tranquilo, levantou
a tampa. Respirou de alívio quando confirmou que lá não havia nada perigoso:
livros e cadernos escolares muito antigos, e num canto, sentada, uma boneca
grande de porcelana primorosamente vestida – uma preciosidade com uns olhos
muito expressivos. Tudo tinha tanta poeira que voltou a fechar a tampa. A
Carolina gostaria muito da boneca já limpa. Por outro lado, o Paulo preferiu
não lhe contar nada do episódio.
Finalmente, as obras estavam concluídas. Todo o rés-do-chão converteu-se num
lugar verdadeiramente acolhedor e moderno, em contraste com o primeiro andar,
cuja decoração tinha um ar algo mais clássico. No entanto, ele escolheu um
quarto totalmente remodelado, com lareira de design, e uma casa de banho à
última moda.
Corria a última semana de novembro, quando, o Paulo e a Carolina, empolgados
com a sua casa nova, decidiram festejar a estreia do que seria o seu lar.
Um jantar à luz das velas, e com uma música suave de fundo, seria perfeito. Um
dessert delicioso, beijos de amor... Dispunham-se brindar com as taças cheias
de champanhe, quando no andar de cima se ouviu uma pessoa a falar. E também uns
soluços. A Carolina levantou-se dum solavanco: “Isso, o que foi?”, perguntou ao
Paulo que estava paralisado.
Subiam as escadas, quase abraçados. A Carolina a tremer de medo, porque os
soluços já eram uns choros inconsoláveis. Ao abrirem a porta do quarto
principal e terem aquela visão, sentiram autêntico terror. Uma aragem gélida
entrava pela janela aberta. Iluminado pelo resplendor da lua estava o berço a
balançar. Quem lhe teria posto aqueles tules brancos? As gavetas da cômoda
estavam abertas, e também o baú.
Um arrepio percorreu-lhes o corpo todo quando ouviram a boneca cantarolar aos
pés do berço, algo assim como uma canção de embalar, enquanto a criança chorava
aos berros. De vez em quando, dizia com uma voz infantil uma frase, sempre a
mesma. Paulo reconheceu a língua alemã: “Kind, du wirst nie groβ werden!” –
essa cena gelou-lhes o sangue.
Já tinham a certeza de que naquela casa algo terrível tinha acontecido.
Telefonaram para o homem que lhes tinha vendido a casa, mas ele não quis dizer
nada. Foram então falar com uns camponeses, cuja quinta não ficava longe do
lugar.
Depois de duvidarem, contaram-lhes o que já relatavam os seus avós. Havia quase
cem anos, tinha morado nesse solar uma família que tempo atrás emigrara para a
Alemanha. Chegaram cá com uma filha de cerca de seis anos. A menina tinha
nascido lá. Aos poucos meses de morar na quinta, herança dum tio rico vindo da
América, a mulher, que era jovem e linda, teve um filho. O recém-nascido era a
alegria da casa, e todos pareciam felizes. Todavia, a menina sentia muitos
ciúmes do irmãozinho.
Uma noite, em que os pais tinham convidados, e todos riam e festejavam no
salão, a menina foi para o quarto do fundo. Colheu a criança do berço e
atirou-a pela janela. Diz-se que se ouviram berros, antes da criança ter rolado
pela pendente.
Os psiquiatras dessa altura aconselharam que era urgente a menina ser internada
num manicômio. Face a tal tragédia, os pais desesperados, decidiram voltar para
a Alemanha. Uma mulher de serviço seria a encarregada de visitar a filha uma
vez por mês. Ao fim dum tempo, correu o boato de que se tinha escapado, e que
rondava pela quinta. Nunca mais se soube dela, mas, acredita-se que a casa
ainda continua assombrada.
O Paulo queimou o berço e o baú com a boneca dentro numa grande fogueira. . Não
sabia se uns meses mais tarde, a Carolina, muito impressionada, quereria morar
com ele naquela mansão. Ainda ressoava nos ouvidos deles a canção de embalar:
“Kind, du wirst nie groβ werden!”: Menino, tu nunca crescerás.
Postado por Felipe às 05:58 0 comentários
Marcadores: Contos
